Quimera que deveras não me deixa
A sorte não podia ser diversa
A noite entre fantasmas se dispersa
Ouvindo no final apenas queixa.
Quem fosse que pudesse traduzir
A voz inebriante do passado
Tentando consertar o mais errado
Desejo a impedir qualquer porvir.
Abençoada mão que esbofeteia
E corta em mil pedaços cada sonho.
Espectro de mim mesmo que componho
Vagando pelas luzes da candeia
Enquanto bruxuleia esta saudade
O medo aos poucos doma e tudo invade...
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
23235
Inquieto coração que não sossega
Vagando por milhares de planetas
Enquanto os mesmos erros tu cometas
Minha alma ultrapassada segue cega.
Adentra o mar tranqüilo e não navega
Relembra de Florbela e violetas
Prepara a cada verso outras falsetas
E a boca de outra boca se desprega.
Pereço quando teimo em ser poeta,
Formal feito um fantasmas não consigo
Viver em liberdade, vaso antigo
Que a sorte tendo o brilho como meta
Não deixa mais sequer um só momento
Aonde possa crer num doce alento...
Vagando por milhares de planetas
Enquanto os mesmos erros tu cometas
Minha alma ultrapassada segue cega.
Adentra o mar tranqüilo e não navega
Relembra de Florbela e violetas
Prepara a cada verso outras falsetas
E a boca de outra boca se desprega.
Pereço quando teimo em ser poeta,
Formal feito um fantasmas não consigo
Viver em liberdade, vaso antigo
Que a sorte tendo o brilho como meta
Não deixa mais sequer um só momento
Aonde possa crer num doce alento...
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23233
O medo do que um dia se fez novo
Movendo o meu caminho em temporais
Não quero ter os olhos no jamais,
Tampouco retornar ao mesmo povo
Que outrora se fizera companheiro
E agora me sugando cada gota
A força sendo frágil já se esgota
O amor nunca será mais verdadeiro
A farsa de um amante está desfeita
Imagem cadavérica somente
Arcaica garatuja inda mente
Enquanto te seduz, falsa, deleita.
E o quarto abandonado sempre às traças
Destrói farrapos podres quando passas...
Movendo o meu caminho em temporais
Não quero ter os olhos no jamais,
Tampouco retornar ao mesmo povo
Que outrora se fizera companheiro
E agora me sugando cada gota
A força sendo frágil já se esgota
O amor nunca será mais verdadeiro
A farsa de um amante está desfeita
Imagem cadavérica somente
Arcaica garatuja inda mente
Enquanto te seduz, falsa, deleita.
E o quarto abandonado sempre às traças
Destrói farrapos podres quando passas...
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23232
A face leonina da verdade
Arrancando os meus olhos me permite
Falar da solidão, mero palpite
Que entranho como fosse liberdade.
Nas mãos o gosto amargo da saudade
O beijo que pensara ser limite
Atordoadamente já se evite
A mata aonde o gozo agride e invade
Nefastos versos trago inebriado,
Nos olhos desvencilho-me e o pecado
Após as ermas noites me domina.
O quanto não teria se inda fosse
Apenas tão somente este agridoce
Poeta que deveras não fascina...
Arrancando os meus olhos me permite
Falar da solidão, mero palpite
Que entranho como fosse liberdade.
Nas mãos o gosto amargo da saudade
O beijo que pensara ser limite
Atordoadamente já se evite
A mata aonde o gozo agride e invade
Nefastos versos trago inebriado,
Nos olhos desvencilho-me e o pecado
Após as ermas noites me domina.
O quanto não teria se inda fosse
Apenas tão somente este agridoce
Poeta que deveras não fascina...
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23231
Quem dera se pudesse doce e mansa
A poesia atroz que me fascina
Enquanto a realidade me extermina
Uma alma cristalina ainda dança
Mergulho tão solene na lembrança
E bebo desta fonte que ilumina
Uma alma delicada desatina
E temerária atroz, ainda avança
Segredo meus momentos de delírio
Ainda que pudesse em vão martírio
Negar a realidade que maltrata
Não mais teria o gozo venturoso
De quem se faz etéreo e caprichoso
A vida não será jamais sensata...
A poesia atroz que me fascina
Enquanto a realidade me extermina
Uma alma cristalina ainda dança
Mergulho tão solene na lembrança
E bebo desta fonte que ilumina
Uma alma delicada desatina
E temerária atroz, ainda avança
Segredo meus momentos de delírio
Ainda que pudesse em vão martírio
Negar a realidade que maltrata
Não mais teria o gozo venturoso
De quem se faz etéreo e caprichoso
A vida não será jamais sensata...
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23230
Sentindo esta presença tão cruel
Da fera atocaiada numa esquina
Escondo o meu olhar, abaixo o véu
E o medo deste bote me domina.
A morte também fera em seu papel,
Ao mesmo tempo assusta e me fascina,
Girando como fosse um carrossel
Bebendo desta fonte cristalina
Amortalhado sonho não me ilude
Viver além do quanto ainda posso
Por mais fragilizado e sem saúde
Apenas reação ainda esboço
E cerco-me de estrelas fumegantes
O fim já se aproxima em tais instantes...
Da fera atocaiada numa esquina
Escondo o meu olhar, abaixo o véu
E o medo deste bote me domina.
A morte também fera em seu papel,
Ao mesmo tempo assusta e me fascina,
Girando como fosse um carrossel
Bebendo desta fonte cristalina
Amortalhado sonho não me ilude
Viver além do quanto ainda posso
Por mais fragilizado e sem saúde
Apenas reação ainda esboço
E cerco-me de estrelas fumegantes
O fim já se aproxima em tais instantes...
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23229
Primores entre raros movimentos
Belezas encenadas, triste peça
Sem ter esta ilusão que ainda impeça
Persigo os meus fantasmas e tormentos.
Os dias que se passam frios, lentos
Minha alma em solidão feroz se engessa
Pergunto por que tenho tanta pressa
Se sei jamais virão quaisquer alentos.
Não tendo solução nem a permito,
Apenas me restando um frágil grito
Resulta nesta rigidez granítica.
A porta que pensara estar aberta
A morte se aproxima e já me alerta
Mostrando-se real e jamais mítica...
Belezas encenadas, triste peça
Sem ter esta ilusão que ainda impeça
Persigo os meus fantasmas e tormentos.
Os dias que se passam frios, lentos
Minha alma em solidão feroz se engessa
Pergunto por que tenho tanta pressa
Se sei jamais virão quaisquer alentos.
Não tendo solução nem a permito,
Apenas me restando um frágil grito
Resulta nesta rigidez granítica.
A porta que pensara estar aberta
A morte se aproxima e já me alerta
Mostrando-se real e jamais mítica...
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23228
O amor que tantas vezes quis divino
Afasta-se deveras dos meus passos,
E quando percebendo vãos, espaços
Nas tramas que inda restam me fascino
E embora nada além deste menino
Que traz nos seus olhares, brilhos lassos,
Estendo minhas mãos procuro laços
E assim o meu futuro; determino.
Na ausência da esperança o que seria
Do mundo, simplesmente uma agonia
Viver esta utopia nos faz bem
Mas quando solitário caminheiro,
O mundo tão cruel se verdadeiro
Na busca interminável, nada vem...
Afasta-se deveras dos meus passos,
E quando percebendo vãos, espaços
Nas tramas que inda restam me fascino
E embora nada além deste menino
Que traz nos seus olhares, brilhos lassos,
Estendo minhas mãos procuro laços
E assim o meu futuro; determino.
Na ausência da esperança o que seria
Do mundo, simplesmente uma agonia
Viver esta utopia nos faz bem
Mas quando solitário caminheiro,
O mundo tão cruel se verdadeiro
Na busca interminável, nada vem...
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23227
Quem dera por mil astros, rodeado,
Qual fora um sol imenso em dia claro,
Mas quando vejo o tempo assim nublado
O fim das esperanças eu declaro,
Quisera ter alguém sempre ao meu lado,
Porém um fato assim deveras raro
Trazendo o meu olhar tão marejado
Traduzo a cada verso o desamparo.
À parte deste mundo, solitário
Quem dera noutras eras, solidário
Porém o meu fadário não se engana.
Apenas a mortalha me acompanha
A dor que se demonstra assim tamanha
Uma alma sem descanso já profana...
Qual fora um sol imenso em dia claro,
Mas quando vejo o tempo assim nublado
O fim das esperanças eu declaro,
Quisera ter alguém sempre ao meu lado,
Porém um fato assim deveras raro
Trazendo o meu olhar tão marejado
Traduzo a cada verso o desamparo.
À parte deste mundo, solitário
Quem dera noutras eras, solidário
Porém o meu fadário não se engana.
Apenas a mortalha me acompanha
A dor que se demonstra assim tamanha
Uma alma sem descanso já profana...
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23226
Aurora resplandece e entorna cores
Mudando este cenário; abençoando
O dia que nascendo irá sanando
Das almas dos poetas tantas dores...
Inútil fantasia trama flores
E o quadro permanece. O vento brando
Encontra o mundo tosco desabando
E segue por aonde ainda fores.
Escuto a tua voz, longínquo grito
Errôneo cavaleiro em disparada
Ao fim de mais um dia, outra jornada,
E o coração persiste sempre aflito
Quiçá possa encontrar um novo alento
Diverso do que trouxe o brando vento...
Mudando este cenário; abençoando
O dia que nascendo irá sanando
Das almas dos poetas tantas dores...
Inútil fantasia trama flores
E o quadro permanece. O vento brando
Encontra o mundo tosco desabando
E segue por aonde ainda fores.
Escuto a tua voz, longínquo grito
Errôneo cavaleiro em disparada
Ao fim de mais um dia, outra jornada,
E o coração persiste sempre aflito
Quiçá possa encontrar um novo alento
Diverso do que trouxe o brando vento...
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23225
Quisera caminhar por outras sendas
Aonde houvesse luz entre cascatas,
Adentro sem saber terríveis matas
Segredos que tampouco tu desvendas,
Nos olhos embotados, frias vendas,
Um tanto carinhosa me arrebatas;
Mas logo vil pantera tu me matas
E deixas no lugar amargas lendas.
Serenas serenatas do passado
No olvido não serão mais relembradas
As noites que pensara enluaradas
O tempo segue agora em vão, nublado.
Morrendo entre teus dentes doce fera,
A vida noutra senda regenera...
Aonde houvesse luz entre cascatas,
Adentro sem saber terríveis matas
Segredos que tampouco tu desvendas,
Nos olhos embotados, frias vendas,
Um tanto carinhosa me arrebatas;
Mas logo vil pantera tu me matas
E deixas no lugar amargas lendas.
Serenas serenatas do passado
No olvido não serão mais relembradas
As noites que pensara enluaradas
O tempo segue agora em vão, nublado.
Morrendo entre teus dentes doce fera,
A vida noutra senda regenera...
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23224
Meu caminho tolhido pela dor
Que tanto me persegue e não me deixa
Ouvindo da esperança qualquer queixa
Quisera ser ainda um sonhador.
Mas tudo se passando desta forma,
Ausente da esperança; sigo só
Volvendo neste instante ao mesmo pó
Que a vida pouco a pouco já deforma.
A senda mais profícua; inda procuro
E vejo que talvez nada aconteça
Só peço: pelo amor de Deus me esqueça
Não posso suportar um chão tão duro.
Vergando sobre o peso do passado,
Apenas um momento destroçado...
Que tanto me persegue e não me deixa
Ouvindo da esperança qualquer queixa
Quisera ser ainda um sonhador.
Mas tudo se passando desta forma,
Ausente da esperança; sigo só
Volvendo neste instante ao mesmo pó
Que a vida pouco a pouco já deforma.
A senda mais profícua; inda procuro
E vejo que talvez nada aconteça
Só peço: pelo amor de Deus me esqueça
Não posso suportar um chão tão duro.
Vergando sobre o peso do passado,
Apenas um momento destroçado...
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23223
A fera não se afasta e permanece
Olhando para mim, com mansidão,
Eu sei que no final devastação,
É como se defronte não houvesse
Um ser que tanta dor atroz padece
E muda vez em quando a direção,
Tentando algum alívio e solução,
Porém felina audaz não obedece.
Quem dera se de mim compadecida
Poupasse pelo menos minha vida,
Mas nada me permite imaginar
Outro final senão a morte agônica
Assim durante a vida, a mesma tônica
Atônito; não pude caminhar...
Olhando para mim, com mansidão,
Eu sei que no final devastação,
É como se defronte não houvesse
Um ser que tanta dor atroz padece
E muda vez em quando a direção,
Tentando algum alívio e solução,
Porém felina audaz não obedece.
Quem dera se de mim compadecida
Poupasse pelo menos minha vida,
Mas nada me permite imaginar
Outro final senão a morte agônica
Assim durante a vida, a mesma tônica
Atônito; não pude caminhar...
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23222
Figura cambiante, transtornada
Vestida de ilusão finge pensar
Que ainda existe tempo pro luar
Não vê a morte exposta na calada.
O vento que pensara uma lufada
Terrível tempestade a se formar,
Os sonhos esquecidos nalgum bar
Durante o meu passado, madrugada.
Agora não consigo mais saber
Aonde se escondeu a estrela guia
Mortalha revestindo a poesia
Cansado de lutar e de viver.
Olhando para o espelho vejo em mim
As marcas tão profundas do meu fim...
Vestida de ilusão finge pensar
Que ainda existe tempo pro luar
Não vê a morte exposta na calada.
O vento que pensara uma lufada
Terrível tempestade a se formar,
Os sonhos esquecidos nalgum bar
Durante o meu passado, madrugada.
Agora não consigo mais saber
Aonde se escondeu a estrela guia
Mortalha revestindo a poesia
Cansado de lutar e de viver.
Olhando para o espelho vejo em mim
As marcas tão profundas do meu fim...
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23221
Num salto sobre mim esta pantera
Expondo suas garras, firmes dentes,
Sangrantes ilusões, cruel espera
Os dias entre as ânsias são dementes
E quando se prepara ao bote, a fera
Em ritos tão macios e envolventes
Quais fossem os carinhos das serpentes
Atocaiado monstro; o medo gera.
E ao mesmo tempo traz tal sedução
Que entregue ao seu poder fico parado.
O bote com cuidado preparado,
O corpo destroçado cai ao chão,
E as aves rapineiras; calmos gestos,
Devoram com prazer enorme os restos...
Expondo suas garras, firmes dentes,
Sangrantes ilusões, cruel espera
Os dias entre as ânsias são dementes
E quando se prepara ao bote, a fera
Em ritos tão macios e envolventes
Quais fossem os carinhos das serpentes
Atocaiado monstro; o medo gera.
E ao mesmo tempo traz tal sedução
Que entregue ao seu poder fico parado.
O bote com cuidado preparado,
O corpo destroçado cai ao chão,
E as aves rapineiras; calmos gestos,
Devoram com prazer enorme os restos...
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23220
Subindo ao mesmo instante em que meus versos
Alçaram cordilheiras entre os sonhos,
Mergulho nos abismos mais medonhos
E bebo dos sentidos tão diversos.
Seria o que talvez salvasse quem
Depois da tempestade nada teve,
O beijo mais atroz não se conteve,
Enquanto a madrugada fria vem
Eu traço os meus engodos entre as cores
E sei que a minha morte se aproxima,
Não sendo tão somente simples rima
Deixando para trás falsos amores.
Olhando este retrato amarelado
Entorno cada gota do passado...
Alçaram cordilheiras entre os sonhos,
Mergulho nos abismos mais medonhos
E bebo dos sentidos tão diversos.
Seria o que talvez salvasse quem
Depois da tempestade nada teve,
O beijo mais atroz não se conteve,
Enquanto a madrugada fria vem
Eu traço os meus engodos entre as cores
E sei que a minha morte se aproxima,
Não sendo tão somente simples rima
Deixando para trás falsos amores.
Olhando este retrato amarelado
Entorno cada gota do passado...
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23219
Firmando a cada passo mais os pés
Não deixo me levar pelos modismos,
Tampouco me exporei aos cataclismos,
Não quero nem algemas nem galés.
Apenas não suporto tal viés
Deixando a poesia sem batismos
Nem mesmo suportando novos sismos
Soneto merecendo rapapés.
Ourives sem as gemas não produz,
Agora escuridão sonega a luz
E o que era decassílabo se esgota.
Não tenho paciência para tanto,
O esgoto traduzindo desencanto
O terno entre bermudas se amarrota...
Não deixo me levar pelos modismos,
Tampouco me exporei aos cataclismos,
Não quero nem algemas nem galés.
Apenas não suporto tal viés
Deixando a poesia sem batismos
Nem mesmo suportando novos sismos
Soneto merecendo rapapés.
Ourives sem as gemas não produz,
Agora escuridão sonega a luz
E o que era decassílabo se esgota.
Não tenho paciência para tanto,
O esgoto traduzindo desencanto
O terno entre bermudas se amarrota...
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